COLUNISTAS


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Clóvis Luis Padoveze

• Doutorado em Contabilidade e Controladoria - USP
• Mestrado em Ciências Contábeis - PUC - SP 
• Especialização em Contabilidade e Finanças - Universidade Metodista de Piracicaba-SP • Especialização em Teoria Contábil e Financeira Superior - Universidade Metodista de Piracicaba-SP
• Bacharel em Ciências Contábeis - Instituto Superior de Ciências Aplicadas - Limeira – SP
• Bacharel em Administração - Pontifícia Universidade Católica de Campinas – SP
• Consultor Contábil e Financeiro do Grupo Nelson Paschoalotto, Bauru, SP.
• Instrutor de seminários profissionais em controladoria e contabilidade
• Consultor de implantação de sistemas de informação de controladoria e contabilidade
• Foi Controller de Indústrias Romi S.A., empresa de capital aberto, de 1990 a 2007.
• Professor da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de Piracicaba-SP, UNIMEP, para cursos de Ciências Contábeis e Administração de Negócios Internacionais e do Mestrado Profissional e Doutorado em Administração da mesma instituição, onde se responsabiliza pela linha de pesquisa em finanças e controladoria. Atua como Professor desde 1978
• Ministra seminários profissionais nas áreas de controladoria, custos e sistemas de informações. É palestrante e tem vários artigos publicados em revistas da classe contábil.
• Fundação Romi – Membro do Conselho Fiscal - Abril/2010, atual • ABNT – Membro do Conselho Fiscal - Período de 2002 a 2007/junho
• CFC – Conselho Federal de Contabilidade – Brasilia - Membro do Comitê de Normas Contábeis – 2004/2006
• Em Novembro/2009 recebeu o Em novembro de 2009 recebeu o Troféu Cultura Econômica Jornal do Comércio e Caixa RS, de Porto Alegre- RS, pelo melhor livro de contabilidade de 2009 "Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria."
• Em 2005 recebeu a Medalha Horácio Berlink da Ordem do Mérito Contábil, do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo
• Autor de mais de 20 livros na área Contabilidade, Controladoria e Finanças:

 


O exagero do regime de competência

Por Clóvis Luis Padoveze

No caderno de negócios do jornal O Estado de São Paulo saiu uma matéria recentemente, página B30, dia 24 de novembro deste ano,  sobre uma possível fraude contábil envolvendo as empresas norte-americanas Autonomy, do setor de tecnologia de informação, e Hewlett-Packard (HP).

A HP adquiriu a empresa Autonomy o ano passado por US$ 11,1 bilhões. Este ano vai dar baixa contábil de US$ 8,8 bilhões, sendo que dessa baixa, US$ 5 bilhões seriam em razão de “impropriedades contábeis graves”.

O ex-chefe da Autonomy nega e diz que os balanços e resultados entregues à HP para avaliação do negócio, na ocasião, estavam em ordem, auditados pela Deloitte, que aplicou testes independentes, de acordo com os padrões do IFRS.

A acusação da HP é que a Autonomy registrou antecipadamente receitas de licenciamento de softwares antes de negócios terem sido fechados, inflando a receita, de forma deliberada com o objetivo de enganar os acionistas da HP. Ou seja, antecipou o reconhecimento de receitas de contratos em que os serviços seriam prestados apenas no futuro.

Estamos vendo constantemente este tipo de evento, que mais uma vez nos chama a atenção. Alguns pontos que queremos ressaltar são os seguintes:

  1. Como uma empresa de auditoria do porte da Deloitte não consegue enxergar uma fraude de US$ 5 bilhões, no mínimo?
  2. Qual é o compromisso do contador da Autonomy com a mensuração correta do lucro?
  3. Qual é o compromisso do contador da Autonomy com a ética contábil?
  4. Como profissionais de avaliação de investimentos (experts em valuation)valorizam uma empresa com essa possível fraude em US$ 11,1 bilhões?
  5. Como a Deloitte permitiu o reconhecimento antecipado de receitas ainda não realizadas?

As práticas contábeis do IFRS pregam a essência sobre a forma. Parece que muitos profissionais estão fazendo o contrário. Estão contabilizando forma (contratos futuros), em cima da essência (receita realizável).

Não há dúvida que a contabilidade deve primar pelo registro dos eventos econômicos pelo regime de competência. Contudo, só se pode registrar por competência receitas que realmente virarão caixa!

Há um exagero dos profissionais contábeis na adoção do regime de competência. Estamos ativando despesas que não são ativos, sob o acobertamento de intangíveis,  registrando receitas que não se realizarão etc.

No dia 23/11/12 no site do Estado de São Paulo a empresa aérea GOL anunciou o fim da Webjet, que havia adquirido recentemente. Com o encerramento da Webjet, vai devolver 20 aeronaves aos arrendadores, porque elas são antigas e consomem mais combustível do que as demais da frota da GOL. Sabemos que o IFRS quer ativar essas operações de leasing, postergando o reconhecimento das despesas do pagamento das prestações do arrendamento. Mas não estamos exagerando? Se é leasing de fato, como esta notícia se configura, porque queremos transformar isso em imobilizado, prejudicando a visão do lucro do período?

Outro tema que também temos preocupações, é com a contabilização dos tributos diferidos sobre o lucro. Não há dúvida que há lógica nessa contabilização. Mas um leitor tem muita dificuldade de interpretar certos fatos. Vamos ver nas demonstrações contábeis apresentadas a seguir certos itens do balanço patrimonial que põe em dúvida o leitor. São dados de uma companhia aberta, que não declinaremos o nome, pois entendemos desnecessário.

Tomamos como referência o balanço de dezembro de 2007, antes das novas práticas contábeis. O atual balanço, de 30.09.12, mostra vários itens que chamam a atenção, e que dificultam o entendimento do patrimônio da empresa. Vamos nos ater às contas não usuais, pois não é nossa intenção fazer uma análise financeira do balanço, e, sim, confrontar as demonstrações com as práticas contábeis atuais.

A rubrica Outros, no Ativo Circulante, cresceu no período analisado 892%, sem qualquer menção em nota explicativa de que ativo se trata.

No Ativo Não Circulante surge o IR/CSLL Diferidos no total de 53 milhões. Será isso realizável, de fato? Deve compor ou não o índice de liquidez geral?

O ativo Intangível foi para 46 milhões, um aumento de 3734%. Será um item válido de fato? É realizável?

No Passivo Não Circulante temos um aumento significativo de IR/CSLL Diferidos, com um aumento percentual de 1639%!

A Provisão para Passivos Eventuais aumentou em 2229%? São obrigações prováveis de fato?

Nossa preocupação é com o investidor, o leitor interessado no desempenho econômico-financeiro da empresa. Apesar de tecnicamente aparentemente correto, ultimamente temos colocado em dúvida certos procedimentos contábeis, que, no afã de fazer o ótimo ou ideal, termina por deixar as demonstrações contábeis quase impossíveis de se entender.

Penso que a classe contábil pode começar a pensar novamente em regras que deixem o leitor não iniciado, o investidor comum, com alguma chance de entender o que está acontecendo com o patrimônio e o desempenho econômico e financeiro da empresa.

 

Postado dia 27/11/2012 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


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Nilton Facci

Contador
Maringá - PR
Membro desde: 07/06/2012
Tomando os valores expressos, realmente ficou mais complicado emitir opiniões sobre desempenho empresarial. Entendo que a harmonização contábil é uma necessidade, senão uma obrigação, diante da globalização da economia, quando nos referimos a empresas que atuam mundialmente. No entanto, assim entendo, ficou aberto a subjetivismos que podem provocar situações que, até para serem explicadas, se tornaram ainda mais complexas, quando profissionais de um país tentavam compreender relatórios contábeis de outros países. Será que somente informações contantes em Notas Explicativas conseguem dar alguma lúz para que a evidência aos usuários seja melhorada?. Será que investidores que possuem conhecimentos, ou assessorias específicas, poderão confiar nesse emaranhado de novos posicionamentos?. Pelo que já que compreendia antes, e está se confirmando nesses últimos três anos, os efeitos da harmonização ainda precisam de estudos, até mesmo que quem acha que os compreende.
Parabéns e gratíssimo pelo artigo que chama a atenção de forma explícita.

Dia 03/12/2012 às 09:11:19


Ronnie de Sousa

Profissional de Contabilidade
São Paulo - SP
Membro desde: 03/04/2012
Professor Padoveze,

Excelente artigo!
Um verdadeiro alerta aos amigos contadores e auditores sobre regime de competência e provisões constituídas por meio de subjetividade exacerbada. Parabéns!

Ronnie de Sousa



Dia 29/11/2012 às 18:51:27


Theodoro Versolato Junior

Contador
São Paulo - SP
Membro desde: 03/04/2012
Prof. Padoveze, parabéns pelo artigo. É assustador como até as empresas de auditoria deixam passar estas provisões exageradas, pois o relatório da auditoria é uma ferramenta confiável neste tipo de transação.
É um alerta também aos colegas contabilistas.
Theodoro

Dia 28/11/2012 às 10:10:20


Reinaldo Pereira Santos

contador
São paulo - SP
Membro desde: 01/04/2012
Ótimo artigo, muito esclarecedor. Com certeza leitura obrigatória para todos os profissionais da área

Dia 28/11/2012 às 07:22:08


Inalde

Contadora
Salvador - BA
Membro desde: 06/10/2012
Parabéns, prof° Clovis, esse artigo me alertou sobre os regimes de competência e caixa. muito obrigada, pela bela disertação sobre o tema.
Um abraço

Dia 27/11/2012 às 22:58:40

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